O IV Seminário ?Estratégias Alimentares de Base Territorial: O papel das mulheres na transição para sistemas alimentares sustentáveis? juntou, no dia 29 de outubro de 2026, cerca de 75 participantes que assistiram, presencialmente ou através da transmissão online, ao evento organizado pela Direção do Curso Doutoramento em Agronegócios e Sustentabilidade, em colaboração com os seus centros de investigação (CEFAGE, MED e CETRAD), e em parceria com a Associação Portuguesa de Economia Agrária (APDEA) e a Alimentar Cidades Sustentáveis - Associação (ACSA). Depois das boas-vindas institucionais, foram realizados dois painéis de comunicações seguidos por uma Mesa-Redonda. Estiveram presentes Flávia Charão (Universidade Federal do Rio Grande do Sul); Cristina Amaro da Costa (Universidade Politécnica de Viseu/CERNAS); Rita Beltrão Martins (TERRIUS); Débora Paulino (Atelier GUIDE e doutoranda em Agronegócios e Sustentabilidade); Ângela Pereira (BIOBRÁSSICA); Inês Marques-Lopes (Ptachio); Ana Raquel Almeida (Quinta Vale & Lajes); e Fátima Silvério (GESTORIO).

As intervenções sublinharam que a transição para sistemas alimentares mais sustentáveis deve partir dos territórios, das comunidades e dos seus saberes, valorizando os produtos locais, os modos de produção responsáveis e o trabalho de quem os produz. Foi destacado o papel central das mulheres na preservação e transmissão do conhecimento alimentar, bem como a necessidade de lhes garantir maior participação nas decisões, melhores condições de conciliação entre a atividade agrícola e a vida familiar e reconhecimento económico e social. A literacia alimentar, a educação e a comunicação com os consumidores foram apontadas como essenciais para promover escolhas mais conscientes, valorizar a origem e a qualidade dos alimentos, compreender rótulos e certificações e reforçar hábitos saudáveis desde a escola e a família. Foram ainda debatidas experiências de inovação ligadas ao cânhamo, à linhaça, aos mercados locais, à produção biológica e a plataformas de comercialização, salientando-se a importância da proximidade entre produtores e consumidores, da remuneração justa, da redução da burocracia e da criação de políticas, parcerias e instrumentos de apoio que tornem estas iniciativas economicamente viáveis, socialmente justas e ambientalmente responsáveis.